terça-feira, 23 de outubro de 2012

O sonho do desencarnado


 Vive num sonho o futuro desejado
 O lugar onde tudo pode e tudo se faz
 Um sonho perfeito na mente do enterrado
 Que nada pôde fazer e nada foi capaz
 No passado morre a dor do abandonado
 No silêncio dorme sua alma na eterna paz

 Agora é momento de viver e não de sonhar
 Fugir do pesadelo e encarar a realidade
 Acorde para vida e aprenda a enxergar
 Levante seu corpo e veja a verdade
 Desperte sua alma e comece a andar

 Chega de cochilo, chega de soneca
 Abra os olhos e sinta o momento
 Encha de orgulho a sua caneca
 Beba a felicidade e cuspa o tormento

 Não durma na mesa sem antes provar
 O gosto da liberdade e o aroma da vida
 Almoce a alegria e felicidade no jantar
 Encha seu corpo e saboreie a comida
 Antes de tudo acabar e o tempo passar

 Viva o sonho do esquecido, o sonho do falecido
 Não durma na vida, viva o sonho do apodrecido
 Sonhe com a vida, mas não espere adormecido
 Não seja outro perdido, abandonado e arrependido

Rogério Akamine

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Prisioneiros da morte perpétua


 A vida é uma gigante cadeia
 E nosso corpo uma pequena cela
 Uma de milhares que nos rodeia
 Mas há um propósito de estar nela

 Pagamos por cada escolha que fazemos
 Com o sonho da viagem ao paraíso
 Pois a liberdade é o que queremos
 Uma vida no mundo sem juízo

 Mas não basta sair da prisão
 Sem antes abrir a esfera
 Abrir os olhos e a visão
 Ao mundo que nos espera

 A pena de morte é inevitável
 É uma insuportável dor, é uma doença
 É uma vida de horror, é inaceitável
 A morte é inegável, é uma sentença


Rogério Akamine

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Esperança é a ultima que morre, mas ela vive me matando



Viver nessa assombrada casa é lutar pela vida
A insônia tormenta-me a cada dia
É o ser maligno que amaldiçoa minha ferida
É invisível, mas cheio de covardia
Tento encontrar um meio de saída
Mas é meu corpo a sua moradia

No começo chamava-o de amigo
Abandonado estava ele vivo
Convidei-o para meu abrigo
Mas logo virara morto-vivo
Minha casa já era tóxica
E não pôde viver comigo

Esperança era o seu apelido
Mas eterno se chama sua alma
Sua morte me fez um arrependido
Levando aquilo que me trazia calma

Hoje morro atormentado
Em minha casa que se diz corpo
É uma vida amamentado
De assombrações de um velho morto
É o fantasma despedaçado
Que não larga do meu corpo


Rogério Akamine

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Flutuamente: Imperfeição

Flutuamente: Imperfeição: E se você pudesse escolher se a decisão fosse sua Se o amanhã fosse exato Perfeito conforme seu desejo se todos se tornassem o que...

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Não suje minha casa!


 Espremido nos lixos fedorentos, vivo num enterro sanitário.
 Sem permissão, os lixos são jogados dentro de minha casa.
 Sou um fantasma invisível. Minha casa é assombrada.
 Vida só há nos ratos e nas baratas que se alimentam de minha angústia.
 Estou morto, mas ainda vido nela. 
 Não saio dela. Este é meu lar, poluído de detrítos humanos.

 Seres nojentos e imundos! Pegue de volta suas porcarias e suas pestes!
 Leve sua criação e não suje minha casa!
 Seus lixos me mataram, mas não me impedem de viver em meu azedo lar, sujo e apodrecido.
 Seres doentios, que só reclamam de poluição, mas são a própria imundiçe.
 Sua podridão cheira de longe e entra pela janela.
 Fede mais do que seu próprio lixo.

 Suje sua casa e não suje a minha! Moro em minha casa e não em sua lama!
 Em minha casa nasci e nela viverei.
 Seja meu vizinho, mas não jogue suas porcarias ao meu lado.
 Minha cabeça é minha casa. Minha mente é onde moro. Minha casa é meu lar.
 Toque a campainha e identifique-se antes de entrar e sujar a minha casa.

Rogério Akamine

domingo, 26 de agosto de 2012

Circo, uma palhaçada sem fim



De baixo dessa tenda vivem malabaristas, palhaços, platéia e animais.
Vivem num show de guerras, num teatro aonde a diversão é garantida.
Para ser bom é preciso malabarismo perfeito e garantir os aplausos.
A platéia ri como animal, goza do palhaço e o palhaço chora de rir. 
Pois a platéia veste a máscara de espelho, a máscara da vergonha.
A palhaçada reflete por todos os lados. 
A risada é contagiante nesse pequeno mundo fechado.
Animais adestrados, desde cedo aprendem a garantir a risada.
Piada é que não falta. 
É um verdadeiro circo, é guerra de risos. 
Uma luta constante para rir mais do que o outro.
Os malabaristas se esforçam para não caírem, mas basta um deslize e as hienas soltam suas gargalhadas.
Não há quem fuja, tudo é piada.
A verdadeira fantasia da felicidade.
O circo é rir do outro. O circo é felicidade própria. O circo é uma piada.

Rogério Akamine

sábado, 25 de agosto de 2012

Rico de pobreza


Nasci rico, nadava em ouro e tudo me pagavam.
A riqueza me beijava e por toda parte a felicidade cantava.
O tempo me ensinou que um dia o luxo pode faltar.
Começo minha economia, pobre não quero ficar.
A necessidade de gastar era grande e o desejo da felicidade não pude evitar.

A empresa que era linda, adoeceu, em dores se partiu.
Chora o prejuízo e berra a pobreza.
O grande negócio agora é nada. Nada posso fazer.

Minha fonte de riqueza já não dá mais conta e a fome se debate em meu peito.
O pouco que ainda tenho, gasto em busca de refeição. 
Mas apenas consigo míseros pedaços de pão.
A busca pela comida me tormenta. 
Onde foi a riqueza que me sustenta?

Na pobreza agora me afogo, só vivo em dívidas. 
A pobreza me morde e a surdez espanca a felicidade.
Divido o pouco de comida aos mendigos.
Mas é dinheiro o que eles querem.

Me dou conta de que dou um deles, e a comida não me sustenta mais.
Tenho fome de dinheiro, o dinheiro universal, o dinheiro que não se compra.
Tenho fome de dinheiro que vem de dentro, o dinheiro ao próximo, o dinheiro incondicional.
De rico só tenho meu corpo. Pois a pobreza predomina em minha alma.

Rogério Akamine